quarta-feira, 10 de agosto de 2011

JÁ FUI...


JÁ FUI…
Carmo Vasconcelos

Já fui… Não serei mais a complacente!
Rompi co’a tese alvar do faz-de-conta,
Cansei de aparentar a lassa tonta
Pra dar sono de paz a falsa gente.

Na negativa firme, inabalável,
Sem engolir dilemas, reticências,
Darei meu não pra incómodas cedências,
Meu claro sim, somente ao desejável!

Ficar… Não ficarei a contra-gosto!
E calma no repúdio darei fora
A quem traga ao meu ser pranto e desgosto!

D’alma leve, sem peso que a atormente,
Serei, por fim, inteira desde agora!
Já fui… Não serei mais a complacente!

***
Lisboa-Portugal-2004
In E-Book "Sonetos Escolhidos I"

FOGO-PRESO


FOGO-PRESO
Carmo Vasconcelos

Tenho um poema atado na garganta,
Como uma espinha aguda atravessada,
Cingido ao fogo-preso que o não canta,
Hirta a língua, pla verve não largada.

E a mágoa que bebi, por não ser pouca,
Pela afronta, de fel envenenada,
Traz ressaca de gelo à minha boca,
Pela amarga revolta não gritada.

Porém, se ao rubro a mágoa se agiganta,
Deitada ao gelo, breve é desmanchada,
E porque lisa… a pena já não espanta.

E liquefeito o mote, então sustido,
Corre a mágoa na verve deslaçada,
Esvai-se a espinha, e o poema é engolido!

***
Lisboa/Portugal
10/07/2011
***

FIDELIDADE


FIDELIDADE
Carmo Vasconcelos


Amigo, hoje é teu dia, corro pra ver-te,
visto asas, e a distância não me impede
de, lesta, voar pra ti, pra que se aperte
nossa amizade, sem que trama a enrede.

Ainda que dormente na aparência,
ela semelhe ter perdido o enleio
(por muito dividida na vivência)
descrê do véu que a nubla de permeio.

Que eu galgo montes, vales, mesmo oceanos,
pra que sintas ao peito o forte abraço
deste nó que não lasseia ao vir dos anos…

Que seja maré viva e consentida
por corda firme, atada em forte laço,
enquanto for em nós, pulsante, a vida!

***
Lisboa/Portugal
20/Julho/2011

***

BEM VINDA: ADRIANA OLIVEIRA!!!





Adriana Oliveira-*        Adriana é advogada, Pós-Graduada pela FESP-SP em Política e Relações Internacionais, Professora, com habilitação na área de Educação, Jornalista com registro no MTE, aluna especial na UNIMEP Piracicaba - Direito Internacional, interessada em dividir experiências e conhecimentos nas áreas acadêmica e jurídica.
Limite existe?




Habilite-se a dizer



Precisamos conhecer



O que é limite



Ele existe?



O jurista disse ser legal



O médico disse ser saudável



A moça disse ser natural



O rapaz disse ser inviável.



Limite, existe?



Facilite, medite...



Palavra do vocabulário português



Sim senhor e inglês!



Limite é da mente



Aquela que sente



Sofre, sucumbe, supõe, imagina



Remexe e desatina



É a mente quem põe



Isso porque supõe



Estar assim em segurança



Mas não tem confiança!


Adriana Oliveira


* Receba o carinho de todos nós que fazemos o PORTAL DO POETA BRASILEIRO
 Aline Romariz
 Teresa Azevedo
 Mariela Mei
 Teco Seade
 Flá Perez


NÓS FAZEMOS PARTE DESTA HISTÓRIA!!!

Primeira Paixão:


Fui uma menina cheia de personalidade,carência e muita energia...Com 13 anos me apaixonei perdidamente pelo professor de "EMC" educação moral e cívica,ele tinha uns 60 anos aproximadamente...
      Coitado! fugia de mim como o diabo da cruz, do meu grude "inocente", talvez ele tivesse medo do que fosse capaz, afinal eu era bem bonitinha com um corpo perfeitinho,cabelos revoltos, ar angelical e tão diabólica quanto "Lolita"...
     Com aquela idade eu tinha uma alma ardente, meu coração era uma fogueira crepidando de paixão pelo pobre professor sessentão...
    No final daquele ano fiz uma aposta com minhas amigas, ia beija-lo nem que fosse no susto...
    Então quando estavamos nos despedindo, aos abraços e beijinhos chorosos..aproveitei e me pendurei no pescoço dele, beijei sua boca com sofreguidão e paixão...
   Nem preciso dizer que a sala veio abaixo da algazarra que fizeram, então me soltei e sai da sala, ele veio atrás e disse
   __Menina,cuidado! não seja tão impulsiva o mundo é seu.
   E eu o beijei de novo chorando e dizendo _amo voce! amo voce...ele correspondeu com carinho...
   Minha sorte, foi que ele era realmente um bom homem, soltou-se de mim,  eu não o soltaria nunca mais...
      Foi embora,  nunca mais o vi...
   Mas a lembrança daquela paxão é ainda muito forte em mim....

Elizabeth Oliveira

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Desejo é veneno

Alguns deles matam
Outros somente necrosam

Ser entregue à sorte
Do portentoso e coriáceo

Inquebrável o pote que o contém
Inabalável o mote que advém

É vaso de sangue ausente
Anseio inconsistente
Indesejável resultado
Não presente, ainda por vir

Se sorte houver
Talvez prazer
Lamentado o não realizado

Sofrer enquanto espera
Sofrer se não houver feito
Sofrer quando acabado
Sofrimento há de ter
De qualquer jeito
Seja desejo feito, mal feito ou...
Satisfeito torna-se fardo
Troca-se o almejado.
Insatisfeito agora
Com o dantes desejado

Veneno espesso
De serpente vertido.
De repente morrido.

Viver desejo é sofrer à sorte do sabe-se lá o quê.
Melhor desejo é decidir não tê-lo.

A mai(s)

O sêmem, as outras,
a falta de tato, os destratos:
há coisas que a gente só engole no amor.

Mas depois que tudo isso passar,
nem pergunte porque a gente cospe,
me faça o favor!

Você


Devo-lhe esta paz que sinto.
O aconchego, atenção e carinho.
Uma presença marcante, constante.
Um deleite, um presente de Deus.

E nesta mão de duas vias quero
ser seu sonho e sua realidade,
sua superação e seu caminhar,
seu desejar e também o repousar.


Teresa Azevedo

PRECE DE UM POETA














Fonte:Google



Senhor,

Neste dia que acaba de nascer
Venho em forma de prece pedir
Para que guie meus passos e meus pensamentos
De forma que eles estejam focalizados no bem

Que meus ouvidos não sejam corrompidos
Pelos elogios
Que minhas mãos escrevam as
Letras que vem do coração
E não as que o ego dita

Que minhas palavras
Sejam ditas sempre com sinceridade
Deixando de lado
O orgulho e a vaidade
Dois vilões que podem me cegar

Que eu olhe para as pessoas
E veja o seu lado bom
Mesmo que seja tentada
A mirar nos seus defeitos

Que não seja preciso
Mais que inspiração
Para fazer florescer
Um poema, uma letra uma canção

Peço que a cada vez
Que eu estiver prestes a me corromper
Pelo brilho das estrelas ou o aplauso dos palcos
Eu lembre que tudo que me foi dado
Da mesma maneira pode ser retirado

Que eu lembre sempre
Que a mesma luz que ilumina pode cegar
Senhor são esses os meus pedidos
Para o dia de hoje

Mas não esqueças
Que amanhã, se por aqui eu estiver
Pedirei tudo novamente
Não só para mim, mas para todos

Que trabalham sem cessar
Na seara do bem
Usando da melhor maneira os dons
Que lhe foram confiados

Que Assim Seja!


Gritos no silêncio

Aqui estou...
Ouvindo os gritos do silêncio,
Houve um tempo...faz tempo,
mergulhei nas profundezas do mar sem fim da tristeza,
tão terrível que tive que inventar lembranças, outras,
pra não enlouquecer...
tão violenta quanto algumas catastrófes da natureza,
Ficava deitada, quietinha...
parecia que quanto mais imóvel, mais o espírito se tornava veloz
e o tempo passava com a alma vibrátil
Tempos de dor feroz
onde o silêncio gritava
e tudo parecia volátil
Tenho medo...
Voltei a ficar,
mergulhada...
quietinha_

Elizabeth Oliveira

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Amor X Paixão


Gosto do amor...
Mas prefiro paixão,
que sacode, tira o sono
Enche de tesão_

Dizem por ai...
que amor é "fogo que arde sem se ver"
Muito mais a paixão,
que se sente até doer_

Dizem também...
Que "amor com amor se paga"
Nada comparado a paixão
que sobrepaga_

Então é isso...
amor é bom demais,
paixão...muito melhor.
sempre queremos mais_


Elizabeth Oliveira

Por ela



E na contramão do que é dito
eu sigo ao gosto da corrente
serpente, silêncio nas passadas
corrente, me livra do arbítrio
suplício, afeta-me de cores
temores, ataca-me de salto e
assalta, de mim as amarguras
ternura, não vende em tetrapak
destaque, o que é tão comum
e nenhum ser vivo se padece
estremece, no calor da caldeira
cegueira, a vista ou a prazo
descaso, sabor de humanidade
saudade, vapor que me congela
e dela, do amor se faz maldade


(André Café)

Ciúmes da Viola





Em uma longínqua cidadezinha do interior, conhecida por Jacundá Mirim, vivia um caboclo muito conhecido por Juca guizo de cobra. Carregava esse apelido desde criança, porque seu pai em uma noite de festa de São João, com muita pinga rolando de boca em boca, teve uma visão, anunciando que o seu filho mais novo, iria se tornar um grande violeiro.

Para tanto, deveria junto com o menino, capturar uma cascavel, enrolá-la em seu braço direito e fazer várias rezas em uma capela abandonada na beira da estrada do local onde moravam que a “profecia” seria realizada.

Partiram para lá e viram uma cobra enrolada nos pés do único santo que estava postado em um altar todo empoeirado, que todos diziam milagreiro, pois as pessoas em desespero de causa iam buscar naquele local, apoio para suas dificuldades. Foi uma correria danada dentro do local, até que conseguiram apanhar a serpente.

Ainda na visão do Zé Mangabeira, pai do Juca, no dia seguinte deveria sacrificá-la, pois era sexta-feira dia treze e, tudo estava acontecendo, conforme recebido em sua visão.

Feito isso, pai e o filho, deveriam cortar a cabeça e o guizo e deixar àquelas partes, secar ao sol, sobre um pé de aroeira.

Depois dessa etapa, os ossos deveriam ser colocados dentro de uma viola, que não podia ser comprada, tinha que ser presenteada, o que fez um dos seus tios, por imposição do pai, o Zé Mangabeira.

Assim sendo, Juca não precisou aprender a tocar o instrumento, esse “dom” foi concebido em uma noite de luar, quando o tio entregou-lhe a viola na presença do pai. Acarinhou-a de mansinho e logo foi colocando o nome, Lucinda, que já tinha no pensamento. Naquele instante começou a palmeá-la com sutileza e muita delicadeza, tornando-se desde então, um tocador inigualável.

Não deixava ninguém chegar perto de Lucinda, porque alguns sabiam daquela “estória do guizo” e queriam ver o chacoalhar diferente da caixa de som, produzido pelo dedilhar do Juca, ágeis que nem uma cobra, transformando velhas canções como “Abismos de Rosas”, em solos entorpecedores deixando as pessoas maravilhadas.
 
 Sua fama correu fronteiras, e assim, era chamado para tocar nas festas de peão-boiadeiro, casamentos e bailes de cocheiras.

Nos momentos dos intervalos dos shows quando ia ao sanitário, tinha que levá-la, pois não confiava em deixá-la com alguém, assim sendo, comprou um cachorro, daquele tipo policial, a quem confiou à guarda, o que fazia com dedicação, ninguém se atrevia chegar perto da viola, que ele, Pitoco, rosnava e latia.

Não tinha empresário, tudo era acertado nos momentos que antecedia uma apresentação, não gostava de tratar nada por telefone. E assim foi crescendo ainda mais sua fama de violeiro, tendo por companheiros a viola Lucinda e o cachorro Pitoco.

Em suas apresentações o locutor do rodeio assim o apresentava:

- E agora no ápice da noite, para abrilhantar a nossa festa, vem aí o violeiro Juca, acompanhado de sua viola Lucinda e seu fiel escudeiro, o cachorro Pitoco.

Era uma alegria imensa, porque conforme Juca dedilhava a viola, Pitoco uivava sem parar, como se fosse um acompanhante da musica, mas no fundo eram ciúmes da Lucinda, ele a queria tanto, que dormia ao seu lado, e Juca podia ir para a farra, que não havia perigo de ninguém entrar em seu camarim, para olhar o que tinha dentro da caixa de som, porque o solo que Juca apresentava era diferente, tinha algo enfeitiçado que todos queriam desvendar.

Intenso

Tão intenso
quanto um amor
dançado em tango
na Varsóvia
de outro tempo.

Nostalgia de
cristais e lustres
que se lamentam
nas notas
de um Bandonion
esquecido na noite.

Trágica beleza
de uma vida
que se apaga,
antes que a noite
nos cubra
de escuridão.

Tão intensa
tua partida;
e tanta dor
pressentida
no intenso amor
na escura noite
da Varsória
de antes.

E assim foi...

domingo, 7 de agosto de 2011

BEM VINDO: JOÃO SÁVIO DOS SANTOS LIMA

João Sávio dos Santos Lima-* Escada-PE  João Sávio reside atualmente no Cabo de Stº Agostinho/ PE (Onde nasceu o Brasil). Sempre gostou de literatura em todo o seu segmento, acredita que por meio dela o indivíduo se desenvolve e ativa o seu senso crítico.

Poetas como somos







João Sávio dos Santos Lima*



Gene do cromossomo



Poeta, assim como somos



Maníacos literários



Hiperbólicos, apaixonados somos



Medievais, líricos, satíricos



Monarquistas, nacionalistas



Republicanos, renascentistas



Comunístas, humoristas



Anarquístas somos...



Também temos os do dito popular



Que com legetimidade fazem bem feito



Também temos os mais refinados.



Aquele que faz as coisas dialogarem



Disvirtualizando provisoriamente



É assim que sei e devo falar!



Somos poetas, poetas de fato



Poetas sensatos, malucos, abstratos



Somos poetas, poetas sem par...



Somos poetas



Repentistas, cordelístas



Poetas do improviso



Ecológicos , dos sonhos



Valorizando a cultura do lugar



Que com causus



Nos faz voltar no tempo



Ah! Chego a delirar...



É assim que somos!!!



E como somos GENE



Somos parte do mesmo



CROMOSSOMO



E assim nos dispomos



Com os poetas que SOMOS!!!
 
 
* Bem vindo ,Poeta!!! Receba o carinho de todos nós que fazemos parte do PORTAL DO POETA BRASILEIRO.
 
 Aline Romariz

Caminhos

Caminhemos
além da moldura
do quadro
que se forma,
da vida
que se transforma
e do verde desejo
que da taça entorna.

Caminhemos maduros
o Amor que nos é dado.
Benção inesperada,
d'alguma noite
descuidada.

Caminhemos juntos
a renovada espera
por outro Primavera.
Sejamos donos do
Destino
e do pudor de um
sentir menino.

Façamos o amor
como quem replanta
a última flor.
Cuidado de artífice,
ao tocar tua meiguice
e a poesia
que já se disse.

Caminhemos a nova Planície...

                          Para Cristina.

sábado, 6 de agosto de 2011

Ao Poente



Na gangorra do dia e da noite.
O sol se esconde no poente...
E a lua se levanta lá no horizonte!
E o crepúsculo cai serenamente.

Nas águas que antes foram azuis,
Ou talvez até mesmo cristalinas...
Refletem agora o alaranjado,
Em réstia de luz que vão se aninhando!

A sombra da noite se faz pouco a pouco,
Como um manto negro encobrindo o dia.
Findando uma jornada, iniciando uma fantasia!

Crio em minha alma, a doce ilusão...
Que antes que o dia e a noite termine.
Estarei gravado, em teu coração!

Baroneto