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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Sangue e fome
Por vários anos, com suor e sangue
muitos lutaram e encontraram um lugar
simbolicamente um lar
na realidade, o resultado de muita dedicação
então:
Fixaram-se. Cresceram. Encontraram dificuldades. Se divertiram: pessoas, árvores, casas e bichos.
Nicho imperfeito, com esperança de felicidade.
Porque é isso que o Estado garante...
Antes ou nunca, em história ou mito.
O pito não era de galo, tampouco despertador
nem chaleira ou burrico, era o rico opressor
representado pelo fardado e maquinário
por erário imobiliário. quis e fez
e arruinou vidas e sepultou sorrisos
e operou repressões, violência distribuída para quem já sofria com a violência de exclusão
então:
O Estado para tod@s? Não. Com tanto dinheiro em jogo, se joga com a vida dos outros e jogam pás de cal nos olhos e na alma de pessoas de bem. Como ninguém tratadas, renegadas pela beleza da base legal dos escusos interesses privados
Do lado de quem se encontra o Estado?
O fado sem medida que cada um carrega, a fome armada que em cada um impera
a fera armada sem escrúpulos que acaba com sonhos,
mas nunca com a perseverança
e nunca com a força de lutar
André Café
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Concreto

Não sou poeta completo
sou repleto de defeito
eu sou feito o concreto:
que no verso da saudade
se esconde a verdade
que outrora jaz no peito
(André Café)
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Ins ... piração, nova dose
Quando enfim te achei
a meada se perdera no infinito
deixou rastro incinerado
daquilo que fora dito
e corri léguas até a esquina
pra todos os lados te procurei
aqui, ali, onde tu estavas?
de sobressalto, desesperei
e sobre morros e desterros
e sob nuvens de jardins alados
o hunter aguça a sagacidade
para sorver o ser amuado
eu procurei, cai, sucumbi
por mais uma noite até outro dia
e descansei defronte ao caos
e desaguei em disritmia
onde tu estas pedaço inequívoco
que assaltou a sobriedade
por onde andas poema imundo
que jaz! partiu e deixou saudade
(André Café)
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Por ela
E na contramão do que é dito
eu sigo ao gosto da corrente
serpente, silêncio nas passadas
corrente, me livra do arbítrio
suplício, afeta-me de cores
temores, ataca-me de salto e
assalta, de mim as amarguras
ternura, não vende em tetrapak
destaque, o que é tão comum
e nenhum ser vivo se padece
estremece, no calor da caldeira
cegueira, a vista ou a prazo
descaso, sabor de humanidade
saudade, vapor que me congela
e dela, do amor se faz maldade
(André Café)
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Fujona 2
Ah! Essa preta ...
De que adianta só te avistar
Pois deste feito, quero no ensejo
Ter-te em meus braços, matar o desejo
Com a minha vontade, querer te amar
Mas pobre de mim, em meu devaneio
Parece saber qual é minha prosa
E em de mansinho toda caprichosa
Mergulha meu ser em mar de anseio
Da doce ternura se mostra uma fera
Desvia os olhos, faz que não conhece
E sabe essa nega, isso enlouquece
São poucos segundos de eterna espera
Quando bem de perto, calada me diz
Respiração quente, olhar penetrante
Do toque, a boca, mordida rompante
Fujona, essa preta, que me faz feliz
(André Café)
terça-feira, 26 de julho de 2011
Transruptivo

De repente remodelo depois da tempestade
remontado, configuro, condiciono, desfiguro
Transformado, maqueado, todo molde
pra de novo insurgir, em novo destemor
e assim vou me arriscando no tenso amor
na dórica idéia de sol maior
se abraçando de vez com o fundo do mar
apagando o turvo terror de outrora
mas vil é a história, que um pouco demora
mas com total nitidez, me põe em nudez
os fatos que somente, da face inocente
o que neguei pra mim, soube no fim
e novamente começa, milhagem que atravessa
o senso de identidade, ao de velocidade
o pranto demora e não passa na hora
e sente o relento, na saga firmamento
remodelo, penso, regorgizo
no limiar da sofreguidão
vivo, transruptivo
inválido coração
(André Café)
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Minha Poesia
A minha poesia muda
nada chega ao teu ouvido
nasce em mim que nem gemido
e falece ante a ti
jaz no poço do esquecido
A minha poesia luta
plena guerra em te esquecer
mas o exato de te ver
é a certeza do desfecho
que me guia até perder
A minha poesia confusa
exprimida por sentimento
na esperança de um momento
um pedaço da pura paz
mas recai toda em tormento
A minha poesia louca
é quimera em ação
desmedindo o coração
da turva, vil, torpe e sóbria
amalgamada solidão
(André Café)
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Demônios conspiram
Acaso! Acaso! salva-me do destino a espreita
ele ri, debocha, faz fanfarra e se deleita
deste todo ser errante
que na busca delirante
soluça o peito à vida
por precioso instante
Sempre fora a missão: fazer-se feliz
e com o dom e karma de mero aprendiz
os demônios conspiram
e de salto aspiram
sorver o que se sente
fulgores se retiram
"a teu cheiro matador', teu sorriso profundo
me transporta por cometas, me deixa gira-mundo
são as rotas que eu percebo
de fugir desse placebo
pra cair na tentação
de voraz efebo
anestesiado de delírios frustrantes
que pulam descompassados aos montes
corre em mim a letargia
mas na espreita do dia
na mão uma rosa e pistola
embebe-me de nostalgia
E com a mão salvadora da heroína
esse calor que nada determina
somente a própria sorte
de escolher qualquer norte
que leve ao seu coração
ou leve ao colo da morte
(André Café)
quinta-feira, 14 de julho de 2011
A indelével tragédia do ser em ser

Ao ponto em que alcancei as rédeas da desordem
levo-me lentamente em um segundo ao caos
por via de me perder gratuitamente no lodo
nascido do ego das minhas próprias iniquidades
Todo marcado por causas invisíveis
pois não ver, permite não sentir
a essência do afetar inversamente
sobre a égide mesquinha, pomposa de ser
No estalado ouvinte ensurdeço
ao passar das botas sobre as faces
e quando a origem o sangue derrama
tingindo pra frente o coturno
Insesato caminhar, que nos leva a crer
nessa divindade e certeza de supremacia
que se faz um todo, mas alma vazia
humano é o passado do que se segue
Há um norte estremecido entre os escombros
carregado de carinho e permissão
mas se ruma, indelével ao posfácio
da derrocada da carne perante a própria carne
Não se esquiva a humanidade
do torpor que a espreita
pois tomada da desfeita
desafia a própria condição de ser
Caminhamos portanto na rua amalgamados
E pra trás a lembrança boa de fim de tarde
sem medo, terror ou maldade
alegria em momentos eternizados
As vozes que se repetem soam agora baixinho
não se volta mais ao respirar
aponta meu nariz pra um não lugar
do desenredo calcado descaminho
(André Café)
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Quero distância de mim
Não quero mais essas lágrimas de sangue
Não suporto estar lado a lado, de lado
A convivência comigo já sucumbiu
Ao desesperador limite de não suportar
Não quero mais estar impregnado a mim
Não aceito mais o que digo ou o que penso
Sou oposto ao que me contradigo
Sou torto ao que me vejo correto
Desapegue-se de mim carne vil e operante
Tu sim que me acaba a vida
Nos teus sulcos de vontades
de devaneios, e imperfeições propositais
Não há mais como estar acorrentado
A existência pitoresca e degradante
Longe de mim, preciso me distar
daquilo que vejo turvo no espelho
desespero, sufoco, contradição
afogo-me em busca de ar
derrotado por próprias mãos
o pulso ... inativo
(André Café)
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