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domingo, 13 de maio de 2012

Acalanto



por quantas noites
embalei
teu sono
julgando
que eras meu

contando estórias
e murmurando
canções
eu te ninava
com carinho
fazia de meu braço
o teu ninho
e o teu adormecer
sorrindo
bastava
pra me deixar feliz

filhos crescem
cortam laços
soltam-se
de nossos abraços
vão pro mundo

siga, siga
o teu caminho
se tu queres
vai sozinho

mas saibas
filho querido
que meus braços
ficam vazios
e o coração
repartido
esperando
teu retorno
rezando
baixinho
por você
meu bebê
meu filhotinho


Helenice Priedols

quarta-feira, 25 de abril de 2012

És filha do mar




sim, sou filha do mar
não tenho raízes na terra
sou a que as ondas carregam consigo
e jogam contra os rochedos
para após retomarem como sua
esbatida e nua
sou dos recomeços
das ondulações
das espumas e aragens
não sou das margens
nem dos limites
se em ilhas me detenho
me redesenho itinerante
evito o naufrágio
por um breve instante
e volto ao mar
- delirante -
atiro-me à imensidão
o mar está perto do céu
vivo nesse carrossel
até o dia
de ser abandonada
em alguma praia
como arraia que perdeu
na pescaria
largada na areia
corroída pela maresia
- concha vazia

Helenice Priedols