terça-feira, 7 de junho de 2011

LÁ NA ROÇA
















Meu São Tulú das Tabocas,
Que eu tenha u’a vida torta,
Se a boca se acovardar...
Balearam mais um anjinho,
“Fio “ de pobre, três aninhos,
Na esquina ali do bar,
Veio tanto tiro rôuco,
Que caiu poste e reboco,
E a rua danou-se a gritar.


Onde é que já se viu…
Chover tanta bala errante,
Ziguezagueando o passante,
Que de susto desmilingüiu-se,
Cheguei a cair na poça,seu moço!
Depois de me atirar ao chão,
Bem faz mainha na roça!
Porque lá não tem doido não...


Na roça a criança é um tesouro,
Seu futuro é o maior bem que há,
Por cá cruza a voz da violência,
E o homem cavuca a demência,
Vive a guerra, o vício, a dormência,
Sem ter gosto de acordar!



Nina Araújo

2 comentários:

  1. A-DO-REI !!!!

    Poema Doce,lindo. Comovente.Verdadeiro.
    Beijo

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  2. Ô Neusa, muito obrigada, viu?
    outro beijo.

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