domingo, 24 de março de 2024

 

                          Dia do Azar – Homenagem ao Brasil Rural



Amélia Luz

                                                      

Naquele dia, que confusão!

A bezerrada vazou a cerca,

Nem sequer, leite derramado!

O bolo ficou solado,

O feijão queimado,

A goiabada passou do ponto,

O queijo azedou na despensa,

O sol se escondeu de repente,

E a casa ficou no escuro!

O patrão pão-duro,

Não comprou a vela,

E a menina tagarela

Perdeu a chave da fechadura!

Um enxame-formigueiro invadiu a sala

Entornou-se o tinteiro na mala,

Manchou o linho branco do enxoval

E Mariazinha chorou de tristeza!

A roupa lavada sujou no varal,

Era dia do temporal!

O padre, com preguiça, não acordou,

Nem rezou a missa!

A noiva arrependida fugiu do altar

O sino não tocou no cruzeiro,

E o Sinhozinho perdeu todo o seu dinheiro...

O forno não assou o pão

O cão não latiu no quintal

Pois comeu todos os ovos do galinheiro.

Não teve omelete quentinha,

O fogão ficou apagado

A lenha estava molhada

E chovia fino, no telhado...

A Sinhá nervosa rezava ladainha,

Na hora dos anjos, na boca da noite!

O patrão emburrado cochilava,

Na cadeira de balanço.

A preta cozinheira parecia encantada,

Vagava pela cozinha balançando os beiços...

O carrilhão carrancudo batia compassado,

As seis pancadas da Ave-Maria!

E a família se recolheu quietinha

Pensando na dureza da vida.

Era sexta-feira, dia treze na folhinha,

Que azar, que desgosto!

                                                      

Naquele dia, que confusão!

A bezerrada vazou a cerca,

Nem sequer, leite derramado!

O bolo ficou solado,

O feijão queimado,

A goiabada passou do ponto,

O queijo azedou na despensa,

O sol se escondeu de repente,

E a casa ficou no escuro!

O patrão pão-duro,

Não comprou a vela,

E a menina tagarela

Perdeu a chave da fechadura!

Um enxame-formigueiro invadiu a sala

Entornou-se o tinteiro na mala,

Manchou o linho branco do enxoval

E Mariazinha chorou de tristeza!

A roupa lavada sujou no varal,

Era dia do temporal!

O padre, com preguiça, não acordou,

Nem rezou a missa!

A noiva arrependida fugiu do altar

O sino não tocou no cruzeiro,

E o Sinhozinho perdeu todo o seu dinheiro...

O forno não assou o pão

O cão não latiu no quintal

Pois comeu todos os ovos do galinheiro.

Não teve omelete quentinha,

O fogão ficou apagado

A lenha estava molhada

E chovia fino, no telhado...

A Sinhá nervosa rezava ladainha,

Na hora dos anjos, na boca da noite!

O patrão emburrado cochilava,

Na cadeira de balanço.

A preta cozinheira parecia encantada,

Vagava pela cozinha balançando os beiços...

O carrilhão carrancudo batia compassado,

As seis pancadas da Ave-Maria!

E a família se recolheu quietinha

Pensando na dureza da vida.

Era sexta-feira, dia treze na folhinha,

Que azar, que desgosto!