terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 

Conto Infantil: A Alface Orgulhosa.

A horta estava plantada de novo. Alfaces, couves, repolhos, rabanetes e
beterrabas cresciam juntos, em canteiros vizinhos. Seu Bertolino aguava, adubava, cuidava
com carinho para que todos pudessem crescer sadios. O tempo passou e legumes e
hortaliças já estavam no ponto de colheita. Foi quando uma alface atrevida virou-se para o
repolho e dizendo;

Oh, Repolho Cabeça Dura, Você é mesmo um trate. Folhas duras, de um
verde tão desbotado, sempre fechado, nem se abre nem para conversar e ver
a luz do sol!

O repolho sentiu e calou pensando na cruel ofensa da alface siri gaita. Ficou
triste e pensativo. Afinal a natureza tem que ser respeitada!

A alface continuou:

Sabe, seu Cabeça Dura, o meu sonho é fazer parte de uma colorida salada na
mesa de um restaurante de luxo. E você? Para que serve? Só para aqueles
charutos sem graça ...

Uma tarde tenebrosa o céu escureceu repentinamente, prometendo chuvas. E
foi um tremendo temporal naquela noite. A horta ficou alagada e as hortaliças destruí das
pelo vento.

Na manhã seguinte, que lástima! A orgulhosa alface estava com as suas
folhas perfuradas, profundamente ferida pela, força do vento. Soluçava agonizando
pensando no seu sonho de ser colhida para ser parte importante de uma salada. Foi quando
o repolho lá do seu canto, enfim falou:

Viu Dona Alface, não vale a pena desdenhar dos outros. Eu sou feio e tenho
cabeça dura mas aqui estou para ser colhido e aproveitado. E você? Sua
petulante, nem para a comida dos porcos teria serventia. Se pudesse ver a
sua cara ... Parece até que chegou de um combate de guerra!

Então, chegaram num cesto as beterrabas, as cenouras, os rabanetes, os

Chuchus, e também o Repolho Cabaça Dura para serem aproveitados.

Oh, Dona Alface, já estou indo com o pessoal. Vamos para uma escola cheia
de crianças fazer parte de uma Sopa Juliana! E você, cara amiga, vê se dá
um jeito de melhorar a sua aparência, senão a enxada malvada acabará por
destruí-a. Quem sabe, aí sozinha aprende que não se deve criticar dos
outros?

E a alface orgulhosa ficou só, triste e arrependida, pensando na fragilidade das
suas folhas tão belas. Não prestava mesmo para nada. A ser para ser atirada às galinhas.

Horas depois, Seu Bertolino encontrou a alface chorando parou e deu atenção
às suas queixas. Depois de ouvir a sua história, afofou de novo a sua terra, tirou suas folhas
destruídas, escorou-a com estacas de bambu para sustento do seu corpo danificado

Sozinha, muito abalada, a alface pensou na sua atitude para com o repolho e pensou que, mesmo feio e caladão, Se ele estivesse ali a seu lado, não se sentiria assim tão ferida e solitária.

Os dias passaram. O sol voltou a brilhar e a alface por milagre se recuperou.

                         O bombardeio do vento. Na semana seguinte foi colhida e levada num cesto, sem saber
para onde. E, pela força do destino foi parar na mesa da escola onde estavam os seus
companheiros. Chegando lá, foi servida naquela refeição tão variada, como salada, acompanhada de
outros pratos, inclusive da Sopa Juliana. O repolho aos gritos chamava:

- Oh, companheira alface, está nos reconhecendo? Que bom que você também veio. Estávamos na geladeira preocupados, sem saber o que tinha acontecido
com as suas belas folhas. Agora estamos juntos outra vez, na nobre missão de alimentar as crianças desta escola. E lembre-se Dona Alface, cada um tem o seu valor, eu sou Cabeça Dura mas tenho um coração de manteiga que sabe amar e respeitar os meus semelhante.

      Foi quando o tomate falou:

Essas hortaliças são mesmo engraçadas ... O pior sou eu, que apesar de ser uma fruta tenho que aguentar isso aqui, vermelhinho de raiva! Fervendo nesse caldeirão de sopa! Esse mundo tem cada uma.

Moral - Não devemos desdenhar, nem rir do mal dos outros porque o nosso pode estar a caminho.

 

 

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