terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 

Minha Casa – Café da Manhã

Amélia Luz

 

Minha casa amarela, a mais bela,

Da rua a rainha porque era a minha!

Antiga, cofre de emoções guardadas

Em suas paredes de tantos risos,

Tantos prantos e também desencantos.

Tantos segredos onde entrei menina

E aqui estou envelhecida.

Bem cedo, passos de cetim

Transitavam inocentes pela cozinha.

Do canavial da fazenda o açúcar,

Neve no pote de vidro.

Do cafezal os grãos colhidos,

Secados no terreirão com rodos de pau

E por braços fortes de africanos.

A moenda, o velho moinho a refinar.

O pó, o coador, café cheirando,

Reanimando estimulando.

O leite do curral já fervido na louça.

A cada manhã o mesmo ritual!

- Wilmary de uniforme para a escola

Apressada sentava e saboreava a broa de milho,

O queijo fresco e os biscoitos fritos feitos por ela.

A cada manhã o mesmo ritual!

Aqueles passos misteriosos

Aquelas mãos abençoadas que serviam.

Preparavam a mesa com carinho

Despertando a família para um novo dia!

- A benção era de ordem obrigatória,

Tradição das terras de Minas.

- Deus te abençoe! Dizia.

Lá fora um sol nascente começava

A nos chamar para a lida.

Minha mãe, ali conosco, sempre presente,

Ativa aos nossos compromissos.

Minha casa amarela, a mais bela,

Onde entrei quase menina.

Foi o meu começo, o meu espaço

E também a minha cela,

Minha vida entre chegadas e idas.

Sempre a abrigar-nos segura.

Minha mãe, a nossa “estrela guia”

Que nunca esquecerei na percepção

Da realidade e do silêncio que sufoca,

Da distância hoje que nos separa para sempre.

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