Minha Casa – Café da Manhã
Amélia Luz
Minha casa amarela, a mais bela,
Da rua a rainha porque era a minha!
Antiga, cofre de emoções guardadas
Em suas paredes de tantos risos,
Tantos prantos e também desencantos.
Tantos segredos onde entrei menina
E aqui estou envelhecida.
Bem cedo, passos de cetim
Transitavam inocentes pela cozinha.
Do canavial da fazenda o açúcar,
Neve no pote de vidro.
Do cafezal os grãos colhidos,
Secados no terreirão com rodos de pau
E por braços fortes de africanos.
A moenda, o velho moinho a refinar.
O pó, o coador, café cheirando,
Reanimando estimulando.
O leite do curral já fervido na louça.
A cada manhã o mesmo ritual!
- Wilmary de uniforme para a escola
Apressada sentava e saboreava a broa de milho,
O queijo fresco e os biscoitos fritos feitos por ela.
A cada manhã o mesmo ritual!
Aqueles passos misteriosos
Aquelas mãos abençoadas que serviam.
Preparavam a mesa com carinho
Despertando a família para um novo dia!
- A benção era de ordem obrigatória,
Tradição das terras de Minas.
- Deus te abençoe! Dizia.
Lá fora um sol nascente começava
A nos chamar para a lida.
Minha mãe, ali conosco, sempre presente,
Ativa aos nossos compromissos.
Minha casa amarela, a mais bela,
Onde entrei quase menina.
Foi o meu começo, o meu espaço
E também a minha cela,
Minha vida entre chegadas e idas.
Sempre a abrigar-nos segura.
Minha mãe, a nossa “estrela guia”
Que nunca esquecerei na percepção
Da realidade e do silêncio que sufoca,
Da distância hoje que nos separa para sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
O PORTAL DO POETA BRASILEIRO AGRADECE SEU COMENTÁRIO!