terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 

O TREM DA ESPERANÇA

Amélia Luz – Pirapetinga/MG  AFL – Academia Ferroviária de Letras – Rio de Janeiro/RJ.

 

Ouço o apito alvissareiro trazendo novidades!

Na pequena estação perdida no verde

Reúnem-se as pessoas à espera do trem...

Corri até o último vagão sorrindo apressado,

era a minha moça menina, minha namorada,

que me apertava contra os seus seios macios.

Acariciando as nossas recordações

faço bater forte o coração que não se rendeu

e  que teima em permanecer sempre sonhador...

Entrelaçamos agora as nossas mãos rugosas,

ainda sou aquele moço trabalhador ferroviário

que ajudou a fazer a história entre o ontem e o hoje

com bilhetes, trilhos, bitolas, apitos e fumaça!

Estou no estribo, no sacolejar do vapor,

viajo destemido segurando os balaústres

saltando em movimento, aventura costumeira e arriscada!

Sou o motorneiro que conduzo com segurança

na habilidade das manobras maliciosas e precisas...

Guardei no baú o meu velho guarda-pó,

uma fuligem cai-me nos olhos que em lágrimas

continuam olhando os trilhos esquecidos no tempo...

A bilheteria está aberta e o Agente ainda espera...

Esquecer? Impossível! Impossível!


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