segunda-feira, 12 de novembro de 2012


Gotas

 

Na folha em branco

gotejam letras

escorrem palavras.

 

Palavras-ímãs

atraem sonhos

lágrimas

dores

risos

amores.

 

Gotejam letras

escorrem palavras.

 

Gotas.

Go

   te

    jam.

Go

   te

    jam.

 

O lago, versos.


Lu Narbot

Esparta


A lágrima do macho forte
derramada diante da mulher
que lambe das suas costas toda a dor da guerra
deveria mesmo ser colhida em frascos.

Nunca chorar na frente da amada
é para os homens fracos.


domingo, 11 de novembro de 2012

Overtrip


Composição poética criada pelo poeta itaperunense Celso Corrêa de Freitas, que vive atualmente em Praia Grande, SP.
O poema surgiu-lhe entre uma ação funcional e outra em seu serviço, conforme ele mesmo conta. Pronto o poema, seria preciso nominá-lo. Outra tarefa. Depois de pensar, combinar letras e formas, batizou-o de overtrip:
O = onze ;
ver = versos;
tri = trinta e duas palavras;
p = pensamento concreto.
Logo, o poema é constituído por uma estrofe de onze versos (livres ou não), pelos quais se distribuem 32 palavras da seguinte maneira: duas palavras nos versos  ímpares e qutro nos pares, ou quatro plalavras nos versos ímpares  (com excecão do 11º que também ficará com duas palavras) e duas, nos pares.
Pode abordar qualquer tema, dispensa rima, porém o título é obrigatório.

Referência



Inconsciente

Ainda inconsciente,
A alma no escuro
Quer emergir.
Precisa cortar as amarras,
Ver luz,
Viver os carinhos translúcidos,
Conquistar sorrisos,
Vencer o tempo breve,
Ter coragem,
Desafiar a entrega redentora
Sem temores...


Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Google

Respeite os direitos autorais.

sábado, 10 de novembro de 2012

Despedida

Vida que consome minha vida...
De ti só lembrança hão de restar.
Cairá no corpo inerte a escuridão,
Liberdade, alma no infinito a vagar.

Lírios nos campos, véu de noiva...
Suspira a relva no delicado toque
Da brisa molhada pelo sereno
Que fora da madrugada o orvalho.

Aos poucos, despeço-me da vida.
Pois sei que o ser não morre jamais
Vou ao encontro dos imortais....

Como pétalas caídas no inverno...
Sou renascença brilho de fina luz...
Criado no seio do sopro divino.

Baroneto.

Mais Uma Vez


 















Esperei o sol nascer
Para começar a escrever.
Precisava que ele me iluminasse,
Que, em mim, acalmasse,
O que está cansado de gritar,
De explicar...

Até parece que não tem jeito...
...Tanta deturpação nos conceitos.
Tanta gente desejando o fim,
Querendo se ver livre dos irmãos,
Menos afortunados,
Ou simplesmente,
Diferentes!
...Tudo desarrumado!
Compacta solidão!
Uma intolerância que não tem mais fim.

Escondidos atrás de emboloradas escrituras,
Achamo-nos capazes de traduzir a altura,
Em seus mais íntimos desejos.
Deturpamos seus anseios,
Para julgar e condenar
O que acreditamos não ser divino...
Queremos nos livrar
De tudo que possa nos incomodar
Em nossa falsa senda,
Ignorando completamente, nossas próprias vendas.
Apostamos no nosso suposto poder sobre o planeta,
Como se este não pulsasse por si só,
Com toda a certeza
E alguma nobreza!
No livre arbítrio, demos um nó.

O conceito de irmandade
Ainda não atravessou a humanidade.
Ainda nos estranhamos...
Ainda não nos aceitamos.
Nem a nós mesmos,
Muito menos, aos outros.
Infelizmente, achamos que estamos presos,
A um conjunto de comportamentos,
Essencialmente materialistas,
Negativistas,
Precários,
Arbitrários,
E toscos!
Trancafiamos nossos sentimentos
Nos porões imundos da conveniência.
Esquecemos, por completo, nossa procedência.

Felizmente, o Universo
Não é como nós, tão perverso!
Sosseguem pregadores do separativismo.
Por trás de todo este negativismo,
Está a clara luz da Criação,
Com todo o seu incomensurável coração.
Com toda a sua soberania,
E sua inabalável harmonia.
Ninguém irá a lugar algum.
Até que todos tenham acordado: um a um!



Música indicada:




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Algo Poderoso




Vivendo para aprender.
Aprendendo para bem viver!

Quantas lições em um dia!
Quantos detalhes deixamos passar
Desta linda melodia,
Por nos recusarmos a acordar!

Interessante notar,
Que toda a aprendizagem
Sobre esta inacreditável paisagem,
Passa, obrigatoriamente,
Inelutavelmente,
Pela obrigação/necessidade de AMAR!

Estes últimos dias,
Com meu companheiro canino, em agonia...
...Já com metade de seu ser nos braços da morte,
Percebo, claramente, onde está o corte
Da sorte,
De quem elegeu a afeição como Norte!

Todos os resultados em minha vida,
Íngreme subida,
São consequências do que amei,
Mas, também, do que não me afeiçoei...
Todos os frutos no pessoal pomar,
São da árvore de GOSTAR!

Os frutos que não vingaram,
Os galhos que quebraram,
Tudo foi por falta de amor.
...Tanta dor!
Em compensação, o enlevo que desfruto,
É a volta de toda afeição que arremessei ao mundo.

Com uma originalidade incrível,
É bem verdade!
Demorei até hoje cedo
Para entender a profundidade
Deste alucinado contexto.
O retorno, por vezes, não é visível.

É enviesado,
Completamente, inesperado.
Imprevisível,
Evocando a permanência no sensível.
Caso contrário,
Não será identificado, pelo racional itinerário.

Bob está há seis dias,
Sem definir o andamento de sua melodia.
O que o segura é o amor infinito,
Muito mais, muito mais, que bonito,
Que nos uniu para toooooooooooodo o sempre.
Algo poderoso, que preenche por entre...

Anula os vácuos
E tripudia dos obstáculos.
Mas, a matéria está submetida ao tempo,
Apesar da enormidade do sentimento.
...Estamos unidos em batimento!
Nossa história brilha no firmamento!


Música indicada:


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A Caminho do Coliseu




Uma expectativa se fazia presente naquela manhã, a alegria era contagiante em nossos corações, mais uma vez percorríamos as ruas de Roma, a cidade eterna, cheia de encantos e também dos nossos antepassados; ao caminharmos pelas ruas e praças, sentíamos na pele o forte sol do verão europeu.

Tínhamos nas mãos informações obtidas do gerente do hotel, que também nos forneceu um mapa da cidade e das linhas do metrô.

Caminhamos alguns metros e, consultando o mapa, sentimos a necessidade de tomar um táxi, devido à distância até a estação.

Chegamos à praça que antecede a descida para as galerias do subterrâneo, antes apreciamos a bela paisagem que cercava os monumentos históricos fincados naquele chão, relatando um passado de conquistas através de um marco dos homens que ali viveram.

Ainda bem próximo, avistamos uma bela fonte de águas resplandecentes, proporcionando uma brisa extremamente agradável; os respingos caíam sobre nossas cabeças, refrescando nossas mentes.  

Sentíamos muita vibração e euforia e tudo ia sendo registrado na memória do tempo. O que mais ressaltava aos olhos eram as fontes espalhadas em cada praça, abastecidas ainda por águas captadas de velhos aquedutos. Era a Roma dos ”Cesares”, imperadores que conquistaram vários “mundos” da época, e constituindo o “presente” da belíssima Itália.

O nosso fóco era o Coliseu, obra monumental, mandado erigir pelo imperador Vespasiano e terminado por Tito. Simbolizava as conquistas que arrebanhavam na época. Tudo para o povo da cidade que assistia aos espetáculos por conta desse rico império, palco de festas pagãs, regadas de luxúria, paixão e morte.

Tudo era recebido com emoção! Mas uma nostalgia se fez presente, porque momentos daquele “passado” glorificado de outras pessoas estariam conosco, quando de nossa entrada no magnífico teatro, agora combalido pelo tempo.

Seguimos em frente e descemos os degraus da estação; adquirimos os bilhetes de forma automática e aguardamos a chegada do trem.

 
“Começava ali uma verdadeira odisséia nos trilhos daquele Metrô”.


Não havia muitas pessoas aguardando a chegada, mas percebi que o comboio se aproximou de uma forma muito rápida e com uma parada brusca. Fiquei observando por alguns segundos o itinerário no mapa e, nesse momento, a esposa Dija, entrou no seu interior.

Para meu espanto, as portas foram fechadas de forma rapidíssima, saindo em ritmo acelerado! Fiquei “paralisado” ali na plataforma, vendo a companheira distanciar-se.

Do lado de fora, via a sua figura, ficando cada vez mais pequenina na janela de vidro, até que não a enxerguei mais...

Fiquei pensando o que fazer! Como havíamos combinado anteriormente que a descida seria na estação Coliseu, esperei o próximo horário, cerca de cinco minutos, embarquei e fiquei imaginando o que ela estaria pensando. A preocupação foi tanta que comecei a sorrir alto, para o espanto de algumas pessoas que estavam próximo.

A cada estação, eu ia até a janela e ficava observando se não estaria por ali. E assim fui fazendo até chegar à estação do destino. Lá se aproximando, enxerguei sua presença, mas o vagão foi parar bem distante de onde se encontrava. A porta se abriu, tirei o meu boné e fiquei acenando e correndo pela estação em sua direção.

Abraçamos-nos e demos muitas risadas e ficamos nos perguntando o que teríamos feito se não houvesse o encontro. Tudo foi esquecido, quando de longe avistamos o colossal teatro de arena.

Assim sendo, registramos aqui mais uma passagem muito engraçada acontecida conosco nessa viagem até a Itália.
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Deliciosamente Admirável




Tenho tanto para finalizar
Ainda, em minha vida,
Que não posso mais me ater,
À cabeça doida de gente esquisita!
Tenho muito a percorrer,
A canalizar,
Em pouquíssimo tempo.
...Tenho também que lidar,
Com meu forte temperamento,
Impulsivo,
Incisivo.
Enfim, muito que lapidar!

Lamento muitíssimo não ter conquistado
A confiança de todos.
 - Sonho louco –
Mas, deixo meu posicionamento registrado,
Para posteriores avaliações.
Espero, com a ajuda e o aval do tempo,
Semear verdadeiras revoluções
Nos intervalos de cada batimento,
Em cada peito.
Sem dúvida, de um lírico jeito!
Sem dramas,
Nem manipuladas tramas.

Meu desejo é de coletiva clareza.
Uma volta incondicional à leveza,
Só encontrada na nobreza
Da pureza.
Acredito na centelha universal
Depositada em cada ser vivente.
Anseio por seu efeito convergente.
...Essa magia excepcional,
Que, de fato, ainda nem se mostrou,
Ainda nem aflorou,
Por completo.
Aposto na luminosidade do que é certo,
Do que é louvável,
Não por ser estático, ou estável...
Ao contrário, por ser mutável,
É que se torna deliciosamente admirável!




Música linda:



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Preferência


fotosquecontamhistorias.com.br


Valorizo demais, as pessoas que levam a sério a paixão.
Não saem de sua janela.
Vivem para ela.
É o primeiro passo para a pessoal evolução.

Quem não é capaz de gostar,
Ou melhor, que se pensa não ser capaz de gostar,
Tem truncado metade de seu caminhar.
Sabota o próprio desabrochar,
Que passa, obrigatoriamente,
Inegociavelmente,
Pelo exercício da afeição.

Inexiste espiritualidade
Que não brote da afetividade,
Do dom sublime de se apaixonar,
De Amar!
Seja lá como for,
Em qualquer cor,
Qualquer tom,
Apesar de tudo,
Do tanto que anda errado, o mundo...
...Ainda assim,
Tenho certo em mim:

O Amor é o melhor som...

Aquele que move o universo,
Fazendo-o expandir-se em lindos versos...
Absolutamente verdadeiros,
Por inteiro!
...Quânticos,
De tão potencialmente românticos!
Aqueles que, de tão comoventes,
Chegam a ser insurgentes!
Gosto das pessoas que perdem tempo
Com a paixão,
Pois estão a favor da evolução.
Gosto das pessoas que tratam bem seu sentimento,
Por neles reconhecerem a princípio,
Do primogênito indício.
Assim é minha amiga, poetisa Flor Morena,
Com sua obra que recende à açucena.



Música indicada:

asasdoamor.blogspot.com 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

De Volta à Aquarela




Quando não se tem alternativa, a não ser seguir,
É melhor prosseguir...
Ainda que não seja exatamente,
O que se tinha em mente...
Ainda que não seja exibindo aquele sorriso
Voltar a caminhar é preciso.
Mesmo em bases inapropriadas,
Injustas e mal desenhadas,
Faltando pedaços,
É preciso sobrepujar o cansaço
Causado por tanto abatimento...
...Tão fragilizados, os sentimentos!

Deixemos de lado, pois, as coleções de mazelas.
Voltemos à aquarela.

Há tanto ainda para eu escalar.
Escrever é a única corda a me segurar.
Se, ao menos, este peito,
Parasse de reclamar,
De, legitimamente reivindicar,
O que lhe é de cósmico direito...
Não confio cem por cento, nesta adaptação,
Nesta forçada reformulação
Que estou improvisando...
O tempo está se esgotando.
Então, tenho que apostar.
Sistematicamente, me empenhar.

Terei que fazer acontecer
Por sobre todas as inseguranças,
Toooooooda a falta de confiança...
Afastar esta tempestade
Com suas emocionais atrocidades,
Para, quem sabe, nunca mais desabe sobre alguém,
Ou, pior ainda, o mantenha como refém.
Terá que acontecer
É tudo que posso lhes dizer.
Não é vaidade.
É necessidade.

Farei acontecer
Com a mesma força que faz o dia nascer.
... Já estou fazendo.
O dia já vem amanhecendo.




Vídeo lindo:

sábado, 3 de novembro de 2012

Já faz tempo...



Já faz tempo... tanto tempo...
O coração teima em lembrar
O que a cabeça não quer, e evita
Castiga, magoa, abre a ferida
Que há tempos parecia estar curada
Ô vida danada
Cheia de linhas cruzadas
De lembranças e loucuras
Onde a luz da lua
Que entra pela janela e invade o meu quarto,
Apenas zomba de mim...

Ilza Nascimento

Curitiba, 3 de novembro de 2012